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Kauê Luí
Kauê Luí

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O papel do PostGIS em aplicações com dados espaciais.

Introdução

Com o crescimento de aplicações que necessitam de localização geográfica, como aplicativos de entrega, transporte e dispositivos inteligentes, a necessidade de um banco de dados que saiba lidar com dados espaciais se tornou essencial. O PostGIS brilha nesse cenário, sendo uma extensão do PostgreSQL que adiciona suporte a dados espaciais, permitindo que o banco guarde, processe e faça a análise de dados geográficos de forma eficiente e escalável. Com esse artigo, vamos explorar o que é o PostGIS, como ele trabalha junto com o PostgreSQL e como podemos utilizá-lo para criar aplicações que utilizam dados espaciais.

O que é o PostGIS e para que serve?

O PostGIS é uma extensão do PostgreSQL que adiciona suporte completo a dados geoespaciais. Ao invés de pegar apenas latitude e longitude, a extensão permite armazenar, procurar e analisar objetos espaciais, como pontos, linhas e áreas, diretamente no banco de dados.

Além disso, ele poder ser entendido como uma camada de inteligência espacial, que como falado acima ele também interpreta o espaço geográfico, fazendo com que o banco "entenda" conteitos como:

  • Distância entre pontos;
  • Interseção de áreas;
  • Verificação de proximidade;
  • Análise de rotas e regiões.

Um ponto importante é de lembrar que o PostGIS não é um banco de dados independente, ele tem seu funcionamento como uma extensão nativa do PostgreSQL utilizando os mesmos mecanismos, segurança e desempenho. Fazendo com que as aplicações possam evoluir sem trocar sua tecnologia.

Os tipos de dados geoespaciais

Diferente de um banco de dados comum, o PostGIS trabalha com tipos de dados espaciais nativos, sendo eles:

  • POINT: representa uma localização específica (ex: um endereço);
  • LINESTRING: representa caminhos ou rotas (ex: ruas, trajetos);
  • POLYGON: representa áreas (ex: bairros, cidades, zonas);
  • MULTIPOINT | MULTILINESTRING | MULTIPOLYGON: conjunto de geometrias do mesmo tipo;
  • GEOMETRYCOLLECTION: coleção heterogênea de geometrias.

Além desses tipos, há duas categorias principais para armazenar as coordenadas:

  • geometry: Funciona nas projeções planas (2D cartesianas);
  • geography: Funciona nas superfícies curvas da Terra (ideal para coordenadas lat/long).

SRID (Spatial Reference System Identifier)
Um termo que é essencial no PostGIS é o famoso SRID, atuando como um identificador do sistema de referência espacial usado pelos dados. Como exemplo, o padrão EPSG:4326(conhecido como WGS 84, é o sistema que referência de coordenadas geográficas mais utilizado no mundo, baseado na latitude/longitude) é utilizado para localizações de latitude/longitude no globo. Esses dados gerados com SRIDs incompatíveis precisam ser referenciados ou transformados antes de comparações espaciais corretas, garantindo a precisão das análises.

Exemplos de uso

  • Criando uma tabela com dados espaciais:
CREATE TABLE locais (
  id SERIAL PRIMARY KEY,              -- identificador único
  nome TEXT,                          -- nome do local
  localizacao GEOMETRY(Point, 4326)   -- Coluna que armazena a localização geográfica usando o tipo POINT e o SRID 4326 (WGS-84);
);
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  • Consultando pela proximidade: Essa consulta retorna todos os locais que estão a até 1 km de distância de um ponto específico (latitude e longitude de Igarassu, por exemplo):
SELECT *                                          -- Seleciona todas as colunas da tabela "locais"
FROM locais                                            
WHERE ST_DWithin(                                 -- Verifica se a localização do local está dentro de uma distância específica
  localizacao,                                    -- Coluna espacial a ser comparada
  ST_MakePoint(-35.1544, -7.8240)::geography,    -- Cria um ponto de referência convertido para o tipo geography (latitude e longitude de Igarassu em Pernambuco)
  1000                                            -- Distância em metros                  
);
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No PostGIS existem centenas de funções espaciais, como:

  • ST_Intersects() — verifica se duas geometrias se cruzam;
  • ST_Buffer() — cria regiões ao redor de um objeto;
  • ST_Distance() — calcula distância entre objetos;
  • ST_Union() — une duas geometrias em uma só.

Essas funções permitem realizar análises que seriam bastante complexas de fazer no código da aplicação, trazendo essa inteligência espacial para o banco de dados.

Vantagens e Desafios

Vantagens

  • PostGIS é Open source e gratuito: livre e compatível com padrões geoespaciais abertos.
  • Poderoso e integrado: integra consultas espaciais avançadas diretamente no PostgreSQL.
  • Performance: com índices e funções otimizadas, ele se sai bem com grandes volumes de dados.
  • Padrões: segue especificações OGC como “Simple Feature Access”.

Desafios

  • Sua curva de aprendizado: SRIDs, projeções e análises espaciais podem ser complexos para quem está começando.
  • Matemática geoespacial: entender geodésia e projeções melhora a precisão das análises.
  • Planejamento dos índices: sem índices corretos, consultas espaciais podem ser lentas.

Conclusão

O PostGIS é uma peça poderosa para as aplicações modernas no qual precisam entender e trabalhar com o espaço geográfico. Como sendo uma extensão do PostgreSQL, ele dá ao banco de dados capacidades que antes exigiam ferramentas e códigos complexos, como cálculos de distância, relações espaciais e análise de regiões. Com seu uso em sistemas de entrega (iFood, Rappi, Uber Eats), mobilidade urbana (Uber, 99), análise ambiental, o PostGIS demonstra sua versatilidade e importância no mundo atual. Saber usar bem o PostGIS é um diferencial significativo para desenvolvedores e engenheiros de dados que usam geolocalização. Permite criar soluções mais inteligentes, precisas e escaláveis, puxando o poder do banco de dados para lidar com o espaço geográfico de forma eficiente.

Referências

Essas referências são um ótimo ponto de partida para quem quer explorar bancos de dados espaciais na prática.

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